A creatina é o suplemento alimentar que mais tem sido estudado nos últimos tempos. Antes considerada especialmente para atletas, agora os pesquisadores têm investigado seus benefícios para além do músculo.De acordo com evidências preliminares, o composto pode trazer ganhos para diversas partes do cérebro, mesmo que não haja prática de exercícios.Um novo estudo realizado com ratos aponta que a creatina pode ser altamente eficaz em relação à proteção do cérebro contra problemas intestinais. Publicado na revista Brain, Behavior, and Immunity, o estudo limita os resultados aos animais; porém, pesquisadores espanhóis acreditam que existem efeitos clínicos. Leia também Claudia MeirelesCreatina, ômega-3 e B12: todos precisam de suplementos após os 40 anos? Vida & EstiloWhey e creatina “acabam” com os rins? Ciência responde a esse medo comum SaúdeCreatina aumenta força muscular até em quem não faz exercícios, diz estudo SaúdeCreatina é destaque entre suplementos com mais evidências científicas Eles apontam que o suplemento pode ser um grande candidato para preservar a saúde cerebral, especialmente em pessoas com distúrbios inflamatórios do eixo intestino-cérebro.“Do ponto de vista clínico, a suplementação de creatina surge como uma estratégia poderosa, complementar e preventiva”, diz a equipe de pesquisa liderada pelos neurofisiologistas Alejandro Ruiz-Calero e Maria Ortego-Domínguez, da Universidade de Sevilha, na Espanha, ao Science Alert.Eles reforçam que o conteúdo da creatina no hipocampo ajuda a preservar a integridade, a normalização e a excitabilidade neuronal, com foco nos parâmetros afetados pela inflamação.No último ano, alguns participantes desse mesmo estudo descobriram que o suplemento reduziu a inflamação e os danos de doenças intestinais em camundongos de laboratório.Já os novos testes reforçam os benefícios do suplemento para o hipocampo, região cerebral que é considerada crucial para a aprendizagem e a memória.Benefícios da creatina para o cérebroDe acordo com o estudo, ratos com inflamação intestinal que tomaram o suplemento diariamente apresentaram bons níveis de restauração de creatina no hipocampo e redução da inflamação e dos danos aos neurônios na mesma região.Esses resultados corroboram diversas outras pesquisas preliminares que relacionam uma melhora na saúde cerebral ao consumo da suplementação, já que se sabe que o cérebro utiliza uma enorme quantidade de energia do corpo e a creatina exerce um importante papel na manutenção do equilíbrio energético da célula.Em humanos, uma dieta onívora normal contém cerca de 1 a 2 gramas de creatina por dia, composto orgânico natural que também é produzido pelo fígado, rins e pâncreas.Normalmente, o suplemento é armazenado principalmente no músculo, mas pode atravessar também a barreira hematoencefálica e ser absorvido por neurônios e outras células do cérebro, ainda que o que acontece com o composto quando entra no sistema nervoso central seja menos claro.Estudos com ratosEstudos mostraram que a colite ulcerativa, uma doença inflamatória intestinal crônica (DII) que afeta o revestimento intestinal, também manifesta sintomas no cérebro.Quando a DII está ativa, pacientes relatam confusão mental, perda de memória, déficits de atenção e declínio executivo. Pesquisas em ratos com colite já demonstravam maior inflamação no hipocampo.Os pesquisadores na Espanha mostraram que a inflamação intestinal em roedores pode causar danos e disfunções nos neurônios do hipocampo.Os animais que receberam doses orais de 1 g de creatina por quilo, diariamente, tiveram esses danos contidos. Nos ratos que desenvolveram a condição, a suplementação restaurou os níveis de creatina no hipocampo, preservou a integridade neuronal e normalizou a excitabilidade prejudicada, apresentando benefícios mais evidentes nos machos — nos quais os danos cerebrais associados à colite parecem ser piores do que nas fêmeas.Os resultados indicam que condições inflamatórias podem afetar os cérebros masculino e feminino de formas distintas e que a creatina pode ajudar a prevenir algumas dessas consequências.Os autores destacam que a redução de creatina no cérebro também se associa a neurodegeneração, lesão cerebral traumática e doenças neuropsiquiátricas.Contudo, como a pesquisa ainda está em fase pré-clínica, não há clareza sobre a eficácia em humanos ou se todos se beneficiarão igualmente.







