Tatiana Lobo Coelho de Sampaio (Rio de Janeiro, 4 de outubro de 1966) é uma bióloga e professora brasileira da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sampaio recebeu projeção nacional por suas pesquisas acerca da polilaminina, uma molécula que apresentou potencial para reverter lesões medulares e que, no ano de 2026, foi aprovada pela Anvisa para iniciar a etapa de testes clínicos. A polilaminina foi comparada à fosfoetanolamina, devido ao hype promovido por Sampaio em suas entrevistas sobre o composto e à ausência de estudos que comprovem sua eficácia em humanos. Alicia Kowaltowski alertou que a "torcida antecipada" era perigosa ao desviar os esforços de estudos embasados.
Carreira
Nascida em Vila Isabel, na zona norte do Rio de Janeiro, Tatiana Sampaio é filha de um engenheiro, economista e filósofo, e desde criança queria ser cientista. No colégio, se interessou por Biologia, mas sempre manteve o gosto pela pesquisa. Aos 27 anos, depois do pós-doutorado, Sampaio ingressou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) como professora. Atualmente, é coordenadora do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, um laboratório de pesquisa de bioquímica e biofísica de proteínas, mais especificamente a polilaminina, que ela estuda desde 1997. Esses estudos indicam que a substância tem potencial para reverter lesões da medula espinhal. A polilaminina é uma versão da laminina recriada em laboratório. Como resultado das pesquisas de Sampaio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a realização da fase 1 de estudos clínicos com a substância. Serão avaliadas de 20 a 80 pessoas, com os objetivos de determinar a farmacocinética, a farmacodinâmica, a confiança e a segurança da substância em indivíduos saudáveis, além das estimativas de doses e efeitos. Nesta etapa, cinco pessoas com lesão medular completa receberão dose única da polilaminina até 48 horas após o trauma. Os pacientes serão acompanhados por seis meses para avaliar a ocorrência de reações adversas graves.
Vida pessoal Tatiana Sampaio tem três filhos. Ela diz que, em sua trajetória profissional, não enfrentou barreiras por ser uma cientista mulher:"Na área biomédica somos maioria há muito tempo. O desafio não é representatividade, é conciliar vida pessoal e trabalho."Ela não tem religião. Mas acredita em Deus e que a ciência não é dona de toda verdade. Para ela: "As verdades da ciência são úteis, mas parciais. O ser humano é mais do que um corpo."
Prêmio 2025 - Prêmio Todas, na categoria Desenvolvimento e Pesquisa
Referências