Virgínia Mele da Silva Lefèvre ou Virgínia Lefèvre, como era mais conhecida (São Paulo, 17 de julho de 1907 – Ubatuba, 1987), foi uma escritora brasileira de literatura infantil e juvenil. Uma de suas produções autorais mais conhecidas é a série Ana Selva, publicada na década de 1970. Também atuou como tradutora e adaptadora de livros destinados à infância, como os clássicos de autores como Hans Christian Andersen e Condessa de Ségur. Também escreveu literatura não-infantil, atuou como radialista na década de 1940 e foi filantropa na Sociedade Pró-Educação e Saúde (SPES).

Biografia Virgínia Mele Pereira da Silva nasceu em 17 de julho de 1907, em São Paulo. Seu pai, Clodomiro Pereira da Silva, nasceu em Piauí, foi diretor do Departamento de Correios e Telégrafos no Rio de Janeiro e professor na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e na Universidade Mackenzie, em São Paulo. Sua mãe, Carolina Pereira da Silva, nasceu em São Paulo, era filha de pais italianos. Juntos, tiveram nove filhos: Milcíades, Lizandro, Clodomiro, Virgínia, Teodósio, Silvia, Zenóbia, Eponina e Zulema. Iniciou os seus estudos no Externato São José, em São Paulo, e provavelmente os concluindo no colégio Batista Brasileiro, no Rio de Janeiro. Após concluir os seus estudos no Rio de Janeiro, retornou a São Paulo e passou a lecionar no Externato Higienópolis, em 1926. Em novembro de 1930, Virgínia Mele Pereira da Silva casou-se com Valdemar Lefèvre, engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da USP e diretor na Comissão Geográfica de São Paulo – hoje, atual Instituto Geográfico e Geológico (IGG). Após a união, Virgínia passou a se chamar Virgínia Mele da Silva Lefèvre. Juntos, o casal teve três filhos: Maria Cecília, Augusto e Dinah.

Carreira Virgínia tocava piano, falava inglês e francês e, de acordo com seus familiares, era autodidata. Essas características abriram portas para a construção de sua carreira, pois entre os anos 1930 e 1940, Virgínia Lefèvre passou a traduzir e adaptar obras consagradas de literatura infantil e juvenil. Ao passo em que atuava como professora e lecionava a disciplina História da Literatura Portuguesa e Brasileira na Associação Cívica Feminina no início dos anos 1940, também se dedicava a traduzir obras de literatura infantil e a escrever os seus próprios livros de literatura destinados a esse público. Por volta dos anos 1945, escreveu alguns livros para a coleção O mundo e suas maravilhas, publicada pela editora Anchieta.

Vida e Filantropia Mulher de múltiplas atuações, entre 1945 e 1948, Virgínia Lefèvre radiofonizou para a Rádio Excelsior passagens bíblicas, histórias originais e adaptações. Ademais de ser professora, tradutora, adaptadora e escritora, Virgínia Lefèvre também atuava como filantropa. Ainda na década de 1940, fundou a Sociedade Pró-Educação e Saúde (SPES), entidade mantida por meio de mensalidades pagas por associados e rendas de eventos populares, a qual se dedicou por muitos anos de sua vida. Por meio da SPES, auxiliou a população caiçara de Ubatuba em questões básicas de higiene, educação etc. Pela SPES criou escolas em locais onde o acesso era quase nulo. Inclusive, o trabalho social desenvolvido por Virgínia Lefèvre foi tão relevante e significativo que a SPES foi reconhecida como utilidade pública estadual. Nos anos 1970, escreveu uma série juvenil intitulada Ana Selva, composta por seis livros: Ana Selva, Ana Selva na cabana de índio velho, Ana selva em perigo, Ana Selva contra a doença, Ana Selva, a rebelde em sociedade e Ana Selva e a pescaria, publicada pela Editora Tecnoprint, Edições de Ouro, firmando o seu nome definitivamente no campo da literatura infantil brasileira. Em 1975, seu esposo, Valdemar Lefèvre, faleceu. Após décadas de vida dedicadas ao mundo da educação, dos livros e da escrita, ao passo em que atuava piamente por meio da SPES, Virgínia Lefèvre faleceu no ano de 1987, em Ubatuba.

Obras autorais No reino dos bichos O gigante preguiçoso A lagostinha encantada A fada cacetinha As últimas façanhas da fada cacetinha O alegre sapateiro Zé dos bichos Trombão, trombinha e serelepe Na terra dos demônios vermelhos Na ilha dos mistérios perdidos No país da bicharada O filho da floresta Comer para viver – Coleção O mundo e suas maravilhas Insetos amigos e inimigos - Coleção O mundo e suas maravilhas O romance da terra - Coleção O mundo e suas maravilhas O romance do mar - Coleção O mundo e suas maravilhas Viagens no mundo antigo - Coleção O mundo e suas maravilhas No Egito Antigo - Coleção O mundo e suas maravilhas O príncipe invencível A conquista do mar oceano Ana Selva Ana Selva na cabana de índio velho Ana Selva em perigo Ana Selva contra a doença Ana Selva, a rebelde em sociedade Ana Selva e a pescaria

Obras traduzidas e/ou adaptadas A rainha da neve e outras histórias bonitas A sereiazinha e outras histórias bonitas Mamãe sabugueiro e outras histórias bonitas O gigante Zorka Bogatir e outras histórias bonitas O pássaro azul e outras histórias bonitas Rimas infantis Brotinho de pêssego e outros contos do velho Japão Gonçalo de Córdoba Sem família Aventuras ao ar livre Homens de ferro O peregrino Um bom diabrete Braz e a primeira comunhão A casa do anjo da guarda Irmã do Simplício Memórias de um burro As meninas exemplares A fortuna de Gaspar Que amor de criança O general Dourakine Heidi Outra vez Heidi Papai pernilongo Rebeca do Vale do Sol

Obras não-infantis Cérebro humano: capacidade e funções O corpo humano: sua estrutura e funcionamento Jane Eyre (a mulher sublime) Ela dançou um só verão Marnie O pôrto distante O palácio flutuante Conveniência ou amor? O universo e o tempo. Volume 4: o mar A morte fala baixinho Incas ou a destruição do império do Peru Águas selvagens É fácil viver bem O valor do pensamento positivo Como viver 365 dias por ano

Prêmios Em 1964, Virgínia Lefèvre ganhou o Troféu Bartira na categoria “10 mulheres mais atuantes em São Paulo em 1963”.

Referências